Quantas cartas escrevemos ao longo dos anos? Não sei, não as contei mas foram tantas, tantas até já só seres tu. As cartas transformaram-se em sms e mails. Lembras-te? Até os jornais contabilizavam os milhões de mensagens enviadas nas efemérides sociais e os info incluídos chamavan ao correio postal snail mail... A correspondência desapareceu, já só restavam as cartas dos seguros e das contas da água e da electricidade, até estas desaparecerem também. E depois também as tuas. Mas tenho aqui, na minha frente, aquele papel de carta com a vista de Lisboa antiga, à espera da última que não cheguei a escrever-te. Ainda assististe à venda despudorada dos CTT , o culminar de uma decadência evidente mas evitável não fora o Passos ser o merdas que é. Mas eu, mesmo sem (as tuas) cartas continuo a melhor amiga do meu carteiro, o Cláudio. Encomendo livros e as outras coisas que já não posso e não devemos por causa desta pandemia que já não viveste. E lembro-me, de forma recorrente, desde que estamos à mercê deste corona, de falarmos da gripe espanhola quando eu andava às voltas com ela na Biblioteca Nacional. E tu sabias sempre mais do que eu, tu sabias de tudo. Só não sabias que eras insubstituível.


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